Naquela tarde de sábado de 2 de maio de 1981 defrontaram-se Benfica e Sporting no Estádio da Luz para o Campeonato Nacional. Árbitro: Inácio de Almeida.

O Sporting alinhou com Vaz na baliza e com os outros jogadores: José Eduardo, Bastos, Eurico e Inácio. Fraguito, Marinho e Ademar. Freire( depois Lito), Manuel Fernandes e Jordão. O resultado oficial foi 1-1. E digo oficial pois assistiu-se a um dos maiores escândalos de arbitragem jamais vistos.  E Porquê?

Entre outros lances mal ajuizados pelo árbitro, e sempre contra o Sporting, Inácio de Almeida permitiu-se tomar a seguinte decisão: tendo Bento, o guarda-redes do Benfica, a bola na mão, deixou-a fugir na direcção de Jordão (avançado do Sporting) que marcou o golo!!!! Ora o árbitro, sabe-se lá porquê, anulou o golo. A seguir, nos dias seguintes,  foi arranjando explicações descabeladas.

O desaforo, o escândalo foi tão grande, a celeuma, que Inácio de Almeida foi “irradiado” e nunca mais arbitrou. Só por isto pode-se imaginar, quem não viu, como foi a arbitragem.

Abaixo alguns comentários da época.

João Rocha (Presidente do Sporting) exigiu a irradiação do árbitro, defendendo que «a sua actuação não poderia ficar impune, pois além de incompetente, mostrou ser desonesto, cópia fiel de um tal Inocêncio Calabote. Por isso, não basta mandar o árbitro de Setúbal para a segunda ou terceira divisão. É necessário tomar medidas que sirvam de exemplo a quantos não têm a honestidade suficiente para dirigir um jogo de futebol. Inácio de Aldeia tem antecedentes e tem uma alergia especial ao Sporting»…

Foram, de facto, casos & casos. Um «penalty» muito duvidoso contra o Sporting, que, depois de falhado por Nené, foi repetido, um golo anulado ao Sporting, considerado pelo árbitro resultado de «uma entrada de pé em riste». E ainda um penalty indiscutível contra o Benfica que ficou por marcar…

O famoso jogo marcado pelo erro grosseiro do árbitro Inácio de Almeida. Ele podia enganar-se, mas o seu maior engano foi não ter admitido o equívoco num programa televisivo. Eu ia com a bola desde o meio-campo, entrei na área e o Pietra deu-me um toque por trás. O árbitro não assinalou penálti e virou as costas ao jogo. Entretanto, naquela ‘fussanguice’ de recolocar a bola em jogo, o Bento atrapalhou-se e deixou a bola fugir para o Jordão, que a tocou suavemente para dentro da baliza. O árbitro vira-se e ainda hoje não sei o que lhe disse o fiscal-de-linha. Anulou o golo e marcou falta do Jordão por pé em riste. Foi inacreditável.»

Manuel Fernandes, jogador do Sporting

«Foi uma grande bronca e eu e o Humberto Coelho tivemos muita culpa. Aproveito para pedir desculpa a Inácio de Almeida, que não tornou a apitar desde esse dia. Ele confiou na lógica, ou seja, que o Bento agarrava a bola e a colocava em jogo. Quando se gerou a confusão, eu e o Humberto apertámos com o árbitro e com o fiscal-de-linha, que foi ‘cobardola’. Sentiu o peso do Terceiro Anel. Alegámos que o Jordão tinha pontapeado as mãos do Bento, que devia estar com azeite nas luvas. O Sporting foi prejudicado até porque esse jogo se revelou determinante, pois tornou-nos virtuais campeões. Para ajudar à festa, o Chalana falhou um penálti e o árbitro ordenou que o repetisse…»

João Alves, jogador do Benfica

Artigo da autoria do Presidente da Mesa da A.G. do Solar do Norte, Gabriel Almeida