A I Tertúlia Leonina do Solar do Norte, realizada nas instalações desta delegação do Sporting no dia 21 de Janeiro, foi um evento que correspondeu às nossas melhores expectativas e julgamos ter cumprido os objectivos a que nos havíamos proposto: colocar os sportinguistas do Norte em contacto uns com os outros, trazer mais pessoas às nossas instalações, fomentar a nossa implantação regional e, em última instância, incrementar o sportinguismo. Participaram na Tertúlia cerca de 30 pessoas, de várias proveniências: Porto, Matosinhos, Vila Nova de Gaia, Ermesinde, Aveiro, Parambos, Vila do Conde e Lisboa. Como oradores convidados para esta primeira edição optámos por convidar sportinguistas com ideias próprias e esclarecidas acerca do nosso Clube, que conhecemos através da blogosfera e de contactos pessoais. Estiveram presentes Gabriel Almeida (sócio do Solar do Norte e co-editor do blogue Sangue Leonino), Nuno Mourão (do site Sporting Apoio) e José Duarte Pereira (do blogue A Norte de Alvalade). Os temas abordados por cada um, respectivamente, relacionavam-se com os desafios do futuro do Sporting, a implantação da “marca Sporting” na internet e a tentativa de junção das três claques no mesmo sector do estádio e, por fim, a relação entre sócios e dirigentes. Estiveram presentes vários membros da claque Directivo Ultras XXI ,representantes da direcção do Núcleo Sportinguista de Aveiro, do Núcleo Sportinguista de São Tomé e Príncipe, e ainda da filial Sporting Clube de Parambos. Claques 1) A existência de claques em três zonas diferentes do Estádio proporciona cacofonia e ruído de fundo, em vez de apoio; 2) A união de todos estes adeptos proporciona um apoio mais efectivo ao Clube e “atemoriza” os adversários. Além disso, só isso permitirá recriar no novo estádio o apoio a que se assistia no antigo Estádio de Alvalade nos anos 80 e no início dos anos 90. 3) Esta medida pode ajudar à unidade na família sportinguista, eliminando divergências do passado e dando um sinal positivo para os restantes adeptos. A presença de elementos do Directivo Ultras XXI proporcionou um debate interessante e acrescentou elementos para avaliação. Os elementos presentes não acham que essa medida fosse benéfica, uma vez
que consideram que desde a sua fundação, em 2002, desenvolveram uma identidade própria, ine
rente ao próprio facto de estarem numa bancada diferente. Ainda que a nível individual (não falando em nome da claque como um todo), referiram também que não vêem como provável que isso aconteça. Durante a discussão houve ainda quem referisse que o Sporting, provavelmente, não estaria muito interessado em ver esta medida implementada. Futebol e Academias
Durante a Tertúlia não foram abordados com profundidade temas da actualidade futebolística – essa foi, aliás, uma indicação expressa deixada pela organização, uma vez que os objectivos traçados passavam por identificar temas mais estruturais da realidade leonina, numa perspectiva temporal alargada e não dependentes do dia-a-dia do futebol. No que diz respeito à organização do futebol, assinalou-se que as Academias são o grande trunfo que o Sporting tem, e que a sua implantação em vários pontos do país, para além de servir interesses desportivos, deverá ser aproveitada para fomentar o sportinguismo e para a passagem da mística do Clube. Nesse sentido, uma das ideias fortes que resultou do debate prende-se com a necessidade de aproveitar a capacidade de atracção das Academias Sporting – e, sobretudo, da Academia de Alcochete – para passar a mística do Clube, promovendo o culto das lendas do Clube e o contacto directo com os maiores feitos desportivos da nossa história. Se esta questão sempre se colocou, agora existem dois motivos adicionais que potenciam a sua importância: 1) Por um lado, a internacionalização e a globalização do futebol faz com que já haja crianças que têm como “clube do coração” equipas estrangeiras; Ainda sobre a formação de jogadores, foi levantada uma questão técnica, relacionada com o facto de nos escalões de formação, as equipas jogarem com um modelo de jogo que é diferente daquele que é praticado pelos seniores desde há vários anos (desde 2003). A principal consequência deste facto manifesta-se nos jogadores que fazem a posição de extremos: apesar de as nossas escolas de formação formarem desde há 20 anos alguns dos melhores extremos do mundo, a equipa principal actual, ao não os utilizar no seu sistema de jogo, não aproveita a mais-valia resultante desta experiência.
2) Por outro, o recente certificado de qualidade internacional recebido pela Academia de Alcochete faz com que a sua capacidade de atracção seja ainda maior, e o seu papel de líder do mercado em Portugal seja ainda mais indiscutível.
Núcleos
O laço de confiança entre dirigentes e sócios foi um dos aspectos abordados na Tertúlia, partindo da ideia de que essa confiança deve nortear o funcionamento do Clube. Numa estrutura empresarial formada por um conjunto de mais de uma dezena de empresas, a comunicação deve ser uma ferramenta fundamental para não erodir o vínculo sentimental entre os adeptos e uma estrutura que corre o risco de se tornar progressivamente mais abstracta. Existe ainda a necessidade de essa estratégia de comunicação visar aproximar dos adeptos não só o Presidente mas também outros elementos importantes da estrutura do Clube. Ainda sobre os núcleos, reforçou-se a necessidade de os núcleos se articularem uns com os outros e de promoverem acções em conjunto. Perigos, Desafios e Oportunidades
Ao abordar o futuro do Clube, foi debatido um conjunto de perigos e de
oportunidades com que o Sporting se depara actualmente e que poderão
repercutir-se no futuro. Entre os perigos, destacam-se:
a) O passivo;
b) A mediatização global dos clubes estrangeiros; c) As mudanças nos hábitos sociais; d) O adormecimento do Clube verificado num passado não muito distante; e) O risco de o Clube vir a ser gerido, no futuro, por não sportinguistas – oriundos do circuito financeiro mundial e alheios à nossa realidade desportiva (à imagem do que sucede em alguns clubes ingleses); f) O ressurgimento de alguns dos nossos adversários. a) Os sportinguistas (enquanto maior património do
Clube);
b) As escolas de formação do Sporting espalhadas pelo país e pelo mundo; c) As modalidades; d) A existência de uma equipa de futebol competitiva; e) As potencialidades de comunicação oferecidas pelo Jornal Sporting e
por um futuro Canal de Televisão do Clube – algo que foi defendido por
muitos dos presentes como fundamental e
extremamente estimulante. Foi
também sugerido um maior cuidado na
gestão dos meios de comunicação
informática do Clube, cujo website aparenta ser menos funcional e
eficaz do
que outros, dos nossos rivais, geridos pela mesma empresa. Fotos >> |

